26 de mai de 2009

Humor Chato, só não sei qual…

Estou ficando bem chato. E os programas que fazem humor para mídia televisiva também. Mesmo aqueles que um dia eu aplaudi.

O CQC ontem passou uma reportagem feita com Claudia Leite durante o Rodeio de Jaguariúna. Mesmo rodeio onde aconteceu um tragédia onde 4 pessoas morreram. Mesmo com aviso antes da reportagem relembrando o fato, acho que não deveria ter sido passada uma matéria de conteúdo humorístico que remete ao mesmo local onde houve a tragédia. Fora que aquelas chamadas publicitarias antes de cada bloco… Mas isso rende um post sozinho, mais sério. E a pegação no pés dos políticos tem diminuído perto do inicio do programa no ano passado. Enfim, o CQC está ficando mais do mesmo.

O Pânico na TV notabilizou principalmente em tirar um sarro do mundo das celebridades, fazendo cair por terra muitas pessoas que se auto-intitulavam estrelas. Hoje. ele é um programa que abusa do apelo sexual para piadas infames e não tem o mesmo humor satirico com as pseudo-celebridades. Pelo contrário, ajudou vários a terem um espaço que não mereciam.

A Escolinha da Band é tão fraca, tão fraca, que não merece nenhuma menção em relação a Escolinha do Professor Raimundo, que muitas vezes era produto de um humor barato, mas que era melhor do nível que está atualmente no mercado.

Talvez um pouco desta minha critica aos programas de hoje seja o DVD dos Trapalhões que assisti faz pouco tempo. Produção barata também que utilizava da simplicidade a melhor forma para fazer humor. Com personagens que eram eles mesmo na maioria da vezes, e que retratavam um pouco do que sempre foi o Brasileiro ao longo dos anos.

Em resumo, a volta ao passado será a única solução para o Humor retornar as nossas telas da forma mais simples: através de um sorriso.

17 de mai de 2009

Eu tenho a liberdade aqui

Liberdade, em filosofia, designa de uma maneira negativa, a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano. De maneira positiva, liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários. (retirado da Wikipédia).

Lei (do verbo latino ligare, que significa "aquilo que liga", ou legere, que significa "aquilo que se lê") é uma norma ou conjunto de normas jurídicas criadas através dos processos próprios do ato normativo e estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito (retirado da Wikipédia).

São duas definições claras, que devem andar juntas dentro de uma sociedade democrática.

Por sinal, nossa constituição diz:

Art.. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Alguns podem dizer que a Internet aumenta o anonimato das pessoas. Entretanto, como analista de TI, sei que o anonimato não existe. Quando existe algum tipo de problema, existe várias maneiras de buscar a informação. Em outras palavras, se existem alguma ilegalidade, existe formas de buscar estes dados através dos inputs e outputs do sistemas, independente de qual seja a tecnologia.

Dito isso, porque criar uma regulamentação que faz com que o usuário do dia-a-dia em suas atividades mais simples, tenha a dúvida de estar fazendo algo ilegal? E quem poderia se beneficiar quanto a este tipo de medida?

O blog do Sérgio Amadeu desde sempre vem alertando sobre o problemas que esta nova legislação poderia causar para o usuário padrão, como considerar crime a utilização de redes P2P e o uso dos arquivos que utilizam o DRM (Digital Restriction Management).

Tópicos específicos destas nova regulamentação tem agradado a Febraban, empresas de mídia e grandes grupos jornalísticos. No caso da Febraban, existe certa razão em defender punições para crimes de internet perante as estas instituições. Mas no caso de gravadoras e grande jornais, a defesa dos direito autorais está sendo colocada de uma forma que inibe qualquer tipo de atividade corriqueira de um usuário comum, defendendo a propriedade intelectual em detrimento da liberdade da pessoa.

Repito, uma regulamentação sensata seria bem vinda, porém, não da forma que está sendo colocada atualmente. Outra coisa que seria bem vinda poderia ser investimento em politicas de inclusão digital e segurança de informação. Ou seja, foco em educação, como deveria ser.

Mas, enquanto isso, eu só espero uma coisa: Sensibilidade maior das pessoas do nosso congresso, que não podem tratar a opinião pública como algo qualquer. Pois como dito acima, o interesse do povo em geral esta acima de grupos específicos. Até porque, eu quero minha liberdade assegurada como sempre foi, em qualquer lugar.

Links importantes:

http://samadeu.blogspot.com/ – Blog do Sergio Amadeu

http://entropia.blog.br/ – Blog do João Carlos Caribe, que me incentivou a inscrever este post.

http://meganao.wordpress.com/ – Site oficial da campanha

16 de mai de 2009

Quando a lágrima não caiu

Instigado pelo post do Alexandre Inagaki sobre este assunto, relembro dos meus pensamentos naquele época.

Período estranho, uma época de provas nas faculdade, de muito suor para terminar o meu relatório de estágio e de sensações que antes nunca tinha vivenciado.

Nos meus 15 anos, minha revolta era com o mundo. Aos 18, a revolta foi comigo mesmo. Mas, naqueles dias, a revolta sucumbiu ao medo. Pois eu senti que o mundo tinha se revoltado contra mim. Os olhares eram de terror. No Metro, um olhava para o outro como se em algum momento um estudante iria tirar um coquetel molotov da bolsa. Isso era surreal.

Como surreal foi eu ser preso naquele dia. Sim, pois ao chegar na faculdade, descobri que as aulas foram suspensas devido aos ataques, e que eu estava em um potencial alvo de ataque! Isso não existia.

Assim como não existiu o momento de chegar em casa e perceber que minha familia não tinha vivido o dia, pois o dia deles foi marcado pela preocupação desde a hora que eu sai de casa. Eu, sem perceber, fui refém do mundo.

Ao passar por esta situação, lembrei da Irlanda e seus problemas entre Católicos e Protestantes. Lembrei todo o sofrimento que o povo Palestino e o Israelenses sofrem devido a guerra pelo poder entre ambas a partes. Lembrei da repressão que o Chineses sofrem pelo sistema de governo que lá é imposto, de controle total e liberdade moderada. Cada lembrança era referente a um pouco do que eu vi nos jornais, nos sites e até mesmo naquilo que presenciei.

A noite, eu entendi o que tinha acontecido. Nossas instituições haviam falhado, nosso governo falhou, eu falhei. Todos falharam. 3 anos depois e todos os mesmos que estavam no poder naquela época ainda falham. E a raiva por aquele momento virou uma lágrima, que nunca chegou a rolar pelo meu rosto, mas lavou a minha alma por dentro.

1 de mai de 2009

15 anos atrás…

Sexta feira, dia 29 de abril de 1994, Rubens Barrichello perde o controle de sua Jordan na saída da chinquene de alta que trazia para reta dos boxes. O carro decola na zebra e bate na parte de cima da barreira de Pneus. Por muito pouco, o carro não ultrapassa a cerca de proteção é não é lançado para fora do traçado. A violência do impacto faz o carro capotar pelo menos uma vez. Rubens tem sorte de estar vivo até hoje. Fraturas foram constatadas, o que deixou o brasileiro bom tempo longe do mundial.

Sábado, dia 30 de abril, após mais de uma década sem mortes na Fórmula 1, Roland Ratzenberger perde a asa dianteira de sua Simtek na entrada da curva Villeneuve, em altíssima velocidade (estima-se que no momento da saída da pista, o carro estava aproximadamente 300 km/h) o impacto direto no muro de proteção seria fatal.

Estas informações para um menino de 10 anos passam rapidamente. Afinal, ele já tem idéia do que é a morte, mas não significa quase nada. Afinal de contas na mente dele o que é um austríaco morrer andando em alta velocidade em um treino de F1? Eu nem lembrava o que estava vestido no dia 30 de abril de 1994, quanto mais lembrar de um fato ocorrido com um estranho. E mesmo com acidente de Barrichello no dia anterior, eu iria ligar? Barrichello, um novato, acidentes acontecem. Os ferimentos em decorrência do acidente foram grandes, mas era uma fatalidade. E quando um acidente de tamanha proporção, até com uma morte ocorreria de novo? O garoto de 10 anos ficava no máximo preocupado, mas no fundo não se importava, pois o seu ídolo estaria na frente no GP do domingo e ele queria comemorar uma vitória dele que não tinha ocorrido naquele ano.

Domingo, dia 1 de maio. A falta de lembrança dos dias anteriores não ocorre neste dia. Acordei faltando 15 minutos para 9 horas, horário normal naquela época para acordar quando tinha uma corrida aos domingos. Estranhei o fato de meus pais estarem em casa, pois domingo de manhã era momento da tradicional missa e eles sempre estavam presente. Mas foi um dia que eles acordaram mais tarde, mas só um pouco. 9 horas já estavam todos de pé. Eu ainda esperava o café da manhã quando via imagens de uma paddock triste, de pessoas que não queriam esboçar um sopro de felicidade. Algo carregado estava. As imagens das pessoas da equipe Willians eram de preocupação, mas nem tanto quanto as imagens que vinham do piloto número 1 da equipe. O olhar dele era bastante preocupado. E o me olhar, naquele momento, era de ver uma vitória, mas sabendo que alguém de errado estava no ar. A largada acontece. O meu café chega. O dia não era muito quente, então um leite com café quente com um pão francês alimentou bem no inicio da prova. O meu café não durou muito. Aquela prova também não. Eu lembro que mostravam os lideres entrando na reta principal, quando a imagem foi para câmera do cockpit do segundo colocado, um alemão que começava uma temporada numa equipe forte. Enquanto um carro escapava na curva Tamburello. Era o líder, era o meu ídolo. Meu pai estava na sala assistindo a corrida naquele momento e viu tudo. No momento do acidente, eu lembro de chamar minha mãe, falando que ele bateu forte.

O desenrolar de tudo depois daquilo foi muito estranho. Durante o atendimento eu fiquei inquieto. Varias imagens eram transmitidas e eu relutava em ver. No momento em que o corpo, que já parecia sem vida, foi retirado do carro e o atendimento era feito na pista com aquelas imagens áreas mostrando o sangue escorrendo de sua cabeça, minha mãe já falava: “Ele não deve ter sobrevivido”. Depois daquilo, não lembro nem o que aconteceu na corrida, só ouvia as informações de o piloto sendo retirado e transportado para o Centro Medico, e rapidamente movido para o Hospital de helicóptero. Mas as vozes que ecoavam daquela velha TV já não transpareciam nenhuma esperança. E eu fiquei, só falando daquilo e perambulando sem rumo entre a casa dos meus pais e a casa dos meus avós e tios, todos vizinhos de muro. Até que no horário que deveria ser costumeiramente do almoço, eu me pego assistindo sozinho a TV quando entra um plantão da Globo. A voz era do repórter Roberto Cabrini, e a noticia que todos já sabiam foi confirmada. Naquele momento, meu domingo acabou. Fui no bar em frente de casa jogar uma ficha de Street Fighter para ver se esquecia do que houve. Engano total. Todos só comentavam disso. Até o bêbado que entrava no bar pronunciava algo que lembrava o infeliz fato da manhã. Era o nome do piloto…

Meu domingo definitivamente acabará as 9:15 da manhã, só eu que não sabia. Nos dias seguintes, homenagens foram feitas, aulas foram suspensas, lagrimas de crianças da minha idade foram vistas e testemunhadas por mim. Parecia que um ser superior havia deixado de existir. Para muitos, eu entendo agora que foi isso que aconteceu. Para mim, um grande campeão tinha deixado o nosso plano. E hoje, eu dou o devido valor para o que aconteceu nos dias anteriores, e para o que pode representar a morte de alguém em um mundo enorme.