14 de mai de 2008

Filme próprio


O filme Nome Próprio é daquelas tentativas gostosas de arte que existem no Brasil de fugir da linha tradicional e global de entender a mídia. Tudo nele está presente diretamente e indiretamente.

Primeiro ponto foi a forma de divulgação, que trabalho com veículos independentes de comunicação e contando com uma pagina exclusiva na rede social MySpace, um verdadeiro marco. Acho extremamente importante a busca por novas formas de dialogar com o público que vai assistir o filme. E ai houve o tiro certo: a trama tem um blog como pano de fundo, e somente blogueiros entenderiam o que a personagem principal passa quando está na frente do computador.

Segundo, não existe outro personagem além de Camila, uma mulher retirada do livro Máquina de Pinball, uma história criada através do Blog da Clarah Averbuck (que fique claro, é uma adaptação, então não procure fidelidade em tudo...). Ela é o centro de tudo. E a Leandra Leal sabia o que estava fazendo ao se entregar de cabeça nesse filme. Ela que tinha um blog onde ela expressa suas opniões, deixou transparecer tudo aquilo que a venus platinada não mostrava. Muita força na interpretação, entrega ao personagem como se fosse ela mesmo. Algo que vejo pouco nos filmes de hoje em dia. Talvez no Bicho de Sete Cabeças eu vi um personagem assim. Ela foi o nome do filme.

Terceiro, pois nem tudo são flores: o filme trata de forma muito arrastada várias situações. Os dialogos são pobres, e demonstrava claramente a falta de habilidade de alguns atores de interagir nesse plano. Outra coisa é que a película não explorou como a personagem faz uso da Internet em outros momentos do filme. Parece que a Internet era só o Blog, e talvez fosse a intenção. Porém exagera, e faz você mergulhar junto em um tenebroso marasmo, que logo é agitado quando Camila faz alguma coisa dentro das 4 paredes. Mas nem tudo são 4 paredes, muitas vezes fica claro que a Internet está ali, e poderia ser mostrado.

Mas este filme não causa marasmo. Camila está lá para não deixar acontecer. E não acontece.

O apelo sexual não é cometido a toa. Afinal de contas, estamos falando de alguém que fala com autoridade sobre a vida dela, e a vida dela é feita de excesso. Assim como a camera solta, mostrando de vários ângulos e varios enquadramentos as sucessões de amores e ilusões que vive a persongem central.

Precisamos de um filme assim de vez em quando. Precisamos também de um filme assim que foge do padrão. E este é o caso. Bom filme, ótima pedida quando estrear em cartaz